Texto de Exemplo

Esse texto é o que alteraremos na aula de hoje

Abaixo segue o texto na íntegra sem formatação

Prologo Dizem que adolescentes são todos problemáticos, que não sabemos nos comportar, não sabemos o que é melhor para nós e que nossos pais cuidam e querem o melhor para nós. Nunca ouvimos e acabamos fazendo o que não deveria, mas e quando você é órfã? Quem vai te dizer o que deve fazer? O que não deve? A assistente social? A psicóloga barata que o governo acha que nos ajuda? Eu só gostaria de pensar que eu sou normal e que passar por tantos lares seria divertido e que eu conheceria pessoas maravilhosas e teria muitos amigos. Claro que isso não aconteceu, eu tenho um irmão, que foi adotado primeiro, eles nem sequer perguntaram se ele tinha irmã, se ele queria que fôssemos adotados juntos, simplesmente o levaram, e nunca mais ouvi falar dele. A maioria dos lares que eu fiquei foi quase comparado com o inferno, lembro quando eu tinha 7 anos que eu estava nessa família Carpelli, eles me adotaram, sem nem me olhar, me abraçaram com tanta força que era bem nítido que estavam fingindo. Eles tinham mais 6 crianças adotadas, tudo porque a cada criança era uma quantia que o governo ajudava. Muitas crianças passaram por lares assim, o governo só queria que nós não ficassemos mais nos orfanatos, já estávamos grandes, conforme o que eles achavam. Teve uma família de idosos, eram uns amores, estavam com saudades dos filhos e de criar mais, então me adotaram e adotaram Alicia, uma garota de cabelos bem cacheados, seus olhos jabuticaba brilhavam quando entramos na casa. Mas o lar não durou 5 meses, Antônio faleceu e a dona Maria não aguentou ficar sem o marido, acho que o amor deles era tão grande que ela foi adoecendo e depois de quase 1 mês ela também faleceu. Foram os 7 meses mais legais que eu tive, eles eram alegres e apesar de já idosos passeávamos muito. — Layra. – Ouço Zaira me chamar, era uma das encarregadas que cuidavam de nós. — Hoje tem um casal querendo te conhecer. — Tem certeza? – Pergunto piscando, sem entender, digo, estou feliz, claro que estou, mas eu já estou com 17 anos, sabe o quanto é difícil adotarem adolescentes? — Como assim se tenho certeza? Claro que eu tenho, vá pentear esse cabelo, está parecendo um ninho de pássaros! Coloco à mão nos meus cabelos, ajeitando, meus cabelos eram bem finos e de um loiro quase branco. Meus dentes são meio tortos, não tinha como ir no dentista e usar aparelho, era muito caro e tinha muita criança. Subi para o quarto, onde eu dívida com mais 17 meninas e fui na minha cama, eram camas simples de ferro, com um colchão que não era macio mas também não era uma madeira, dava para dormir. Tinha um criado mudo no meio onde eu dividia com Carla, eu tinha dois livros, pente e um laço vermelho que eu amarrava nos meus cabelos, ganhei dos idosos. Penteei meus cabelos e amarrei o laço, olhei para o espelhinho que tínhamos pendurado na parede, um par de olhos azuis me observavam, assustada, como eu estava com olheira! — Layra! Chegaram! – Ouço Zaira berrando lá em baixo, ajeitei minhas roupas, passando as mãos por cima, como se fossem um ferro de passar. Corri para fora e desci as escadas, com meu melhor sorriso, quando cheguei na porta eles estavam agachados rindo e conversando com Pâmela, ela era uma menina de 4 anos, com bochechas gordinhas e de sorriso tão fofo que dava vontade de apertar. Caminhei devagar até o corredor. — Qual seu nome princesa? – A mulher perguntou, ela estava usando uma saia lápis, um blazer cinza, acho que tinha acabado de sair do seu trabalho, o homem estava de terno, ambos arrumados. — Pámelá. – Pâmela não sabia falar direito seu nome, e como Zaira costumava gritar pelo nome dela dando ênfase nos A, ela falava assim também. — Puxa, que nome lindo, quantos anos você tem, Pâmela? – Pâmela fez o número 4 com os dedos e depois colocou eles na boca, sorrindo. Olho para Zaira, que estava ali do outro lado da batente da porta, ela me olhou, engolindo a saliva. Eu sabia o que aquilo significava, me virei e sai correndo, subindo as escadas e chorando. — Layra, Layra! – Zaira vem atrás, gritando, vou até minha cama, afundando minha cabeça no travesseiro e soluço chorando. — Querida, não fique triste. – Sinto Zaira sentando do meu lado, acariciando meus cabelos. — Sinto muito, Layra, Pâmela correu para atender. Eu estava com raiva, mas não de Pâmela, e sim de mim mesma, porque eu não fui adotada antes? Porque meus pais tiveram que morrer? Porque não me adotaram com meu irmão? Porque ninguém da nossa família nos procurou? Eu tinha ainda família? Eles levaram Pâmela no outro mês, fiquei feliz por ela, espero que ela não volte, e na melhor hipótese volte por algum motivo bobo que não seja violência. Sofriamos isso também nos lares, as vezes o “pai” se aproveitava das meninas ou batiam achando que tinham algum direito, por isso muitas vezes fugiamos. Já peguei 6 lares assim, e hoje em dia, completando 17 anos, não sei se quero que alguém me adote. Fiquei em um lar, que apesar dos pais serem severos, eles eram amorosos, a mulher era enfermeira e o homem trabalhava com plantas, aprendi muito com eles. Mexer com planta foi minha paixão, aprendi a criar plantas para curar machucados, queimaduras, até para calmantes entre outros. O que ajudou muito as crianças do orfanato. Acho que quando eu crescer quero ser médica, conhecer outros lugares do mundo, ajudando eles a se curarem, nós vamos ao colégio público, onde um ônibus escolar nos leva e nos busca todos os dias, eu sempre tento prestar atenção e ser uma boa aluna, mas as palavras se misturam na minha mente. Hoje era sexta feira, meu aniversário foi ontem, dia 23 de fevereiro, não ganhei presente nenhum, e nem bolo, só ganhamos bolo no final do mês para parabenizar todos. Só mais um ano para eu ser de maior, poder trabalhar e quem sabe conseguir alugar algum lugar para morar e viver minha vida. Algumas pessoas que saiam do orfanato logo quando faziam 18 anos pegavam seu dinheiro que recebíamos como um: “Sai daqui e vá viver” e ou gastavam com besteiras, drogas, jogos ou tentavam sobreviver. — Layla. – Ouço uma voz de choro, viro o rosto e vejo Matheus, um garotinho que tem 5 anos, ele está com a boca sangrando, e os olhos castanhos cheio de lágrimas. — O que aconteceu Matheus? – Me levanto indo ao encontro dele. Coloco minhas mãos em seu rosto, limpando as lágrimas, levanto sua cabeça segurando em seu queixo que tinha uma covinha. — O que você fez? — Eu cai, tá doendo. – Ele abre sua boca chorando e soluçando. — Meu denthi caiu. – Ele força um sorriso, vejo faltando seu dente canino e é até engraçado, mas seguro minha risada. — Vou preparar algo pra você, vai lavar a boca, por enquanto, até eu voltar. Vou para fora do orfanato, a planta que eu preciso só tem em uma casa lá no centro, uma vez peguei e uma senhora soltou os cachorros, nunca corri tanto na minha vida. Ela era mãe do vereador, mas como ela era meio caduca, ninguém ligava pro que ela fazia. Fui para o centro, na direção da casa dela. Os cachorros não estavam, e o carro da mãe do vereador também não estava, o carro que sempre leva ela pra lá e pra cá não estava estacionado na garagem. Dei a volta na casa, pulei o muro com dificuldade e fui devagarinho até a janela, me escondendo, fui no cantinho, até onde tinha um canteiro com as plantas que eu precisava. — E você quer que eu faça o que, prefeito? – Ouço a voz de um homem, me escondo atrás da parede, ele estava na porta, de costas para mim. — São apenas criaturas que ninguém sente falta, Márcio, órfãos. – O outro senhor diz, saindo da porta, é o prefeito, ele é gordinho, e está com um terno azul marinho. — E o senhor pretende pegar todas as crianças? Do que será que eles estavam falando? Nós pegar? Pra que? — Não seja tolo, as crianças mais novas são as únicas que são adotadas, segundo as pesquisas de 2005, 2006 e o começo desse ano, as crianças depois dos 15 não são adotadas. — Então o senhor quer pegar todas que tem mais de 15 anos? – Vejo que o senhor que estava de costas era o vereador, ele coloca a mão na gravata, afrouxando. — Não, claro que não, vamos precisar fazer testes primeiro. As crianças somem, elas fogem. Elas morrem, é o ciclo da vida delas. – O prefeito comenta, indo até metade do caminho para o portão. — Entendi, vou pesquisar qual delas tem essa idade, esse projeto vai ajudar futuramente, então elas estarão colaborando. — Uma pena que a senhora Ruth não está, adoro seu chá. – O prefeito comenta, e eu quero sair daqui, mas minhas pernas não se mexem, estou agarrando um tufo da planta com tanta força que eu nem precisaria amassar para virar um suco. — Minha mãe foi viajar para a Inglaterra, por isso as reuniões estão sendo aqui e… Eu seguro com mais força e um galinho da planta quebra, os dois homens olham para onde estou. — Quem esta ai? – O vereador diz, vindo na minha direção, eu vou indo de costas, ainda sentada no chão. — Quem é você? – O prefeito da passos largos e para, tendo uma vista ampla de onde estou, olho para os lados, vendo se teria algum jeito de fugir. — Ela ouviu? – Vereador olha para o prefeito e o prefeito me olha. — É claro que ela ouviu, Márcio! – Ele aponta para mim, com raiva. — Francisco! – O prefeito grita, sua voz grossa faz meus pelos dos braços arrepiarem, me levanto com dificuldade, minhas pernas tremendo. Olho um homem de terno preto, vindo na direção do prefeito, ele parecia um armário de tão grande, ombros largos e forte. — Pegue a menina. – Quando ele diz isso a primeira coisa que eu faço é me virar e sair correndo. Sei que o tal Franscisco está correndo atrás de mim. — Viva ou morta! Aquilo me gelou ainda mais, tropecei tentando correr, mas me levantei, com as mãos e correndo ao mesmo tempo. Tuf. Ouvi, como se fosse um tiro com silenciador, mas não estava doendo nada, e não parecia ter me acertado. Mas senti minhas pernas moles, minha vista ficou turva e cai no chão. — Talvez ela ajude em ser uma das órfãs. — Como você sabe que ela é órfã? — Minha mãe já pegou ela roubando suas flores. — Isso é um sinal, está vendo, Márcio? A voz deles começam a ficar mais distante, oh Deus, eu vou morrer? (Continua…) Leia também Essenciais (um Spin-off ), de L.T.Haze, que conta a história de Jade, para saber mais desse crossover.

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